1º Boletim do Congresso da AMP

23/07/2009 21h53

Jorge Forbes

Primeiro boletim sequencial e parcial do IV Congresso da Associação Mundial de Psicanálise. Comandatuba, Bahia, de 2 a 7 de agosto de 2004.

Analistas falam pouco em sua principal atividade, falam muito quando fora da poltrona, nas mesas de debate. Analistas precisam falar do que fazem a seus pares. Tem uma boa palavra em francês para isso: garde fou. O incompleto da experiência analítica, tão difícil de suportar a ponto de Lacan ter afirmado que o analista tem horror do seu ato, exige a transmissão frequente. Horror ao incompreensível do exercício de perseguir sempre a radical diferença, base da singularidade de cada um. Dois trabalhos são necessários: isolá-la – a singularidade irredutível - e prová-la. Como os artistas: fazer a obra e expô-la. Compatível com o tema do congresso: A Prática Lacaniana, sem standard mas não sem princípios.

Só os membros da Associação participam desse congresso. Ao todo, não chegam a mil no mundo. Presentes, aproximadamente trezentos e cinqüenta, a maioria da América do Sul - Brasil e Argentina, em especial - e da Europa, França e Itália, a maioria. Três línguas oficiais: português, francês, espanhol. Os espanhóis, que não são poucos, acharam complicada a viagem, faltaram muitos.

O clima é tranqüilo, não há grandes tensões entre os membros, fato nem sempre comum nesse meio. Só reclamação dos estrangeiros pela exaustiva viagem, com trocas de aviões e de aeroportos. Cinco horas de espera em Congonhas. Interessante que ninguém fez o que muitos brasileiros teriam feito em situações parecidas: deixar as malas guardadas no aeroporto, pegar um táxi e, no mínimo, fazer um tour pela cidade.
Faz sol e lua, não frustrando a fantasia tropical. Vamos ver por quanto tempo ele fica assim.

A AMP pensa o futuro da psicanálise.