450

23/07/2009 22h48

Jorge Forbes

Um dia pediram ao poeta Guilherme de Almeida para que ele escrevesse um dístico para a cidade de São Paulo. Haveria de sintetizar em uma frase o espírito de um povo.

O poeta escreveu, em latim, como lhe cabia: Non Ducor, Duco, cuja tradução é: não sou conduzido, conduzo.

Essa frase - que desde então é lida no brasão da cidade, que passeia por suas ruas, estampada nos ônibus – tem dupla leitura: uma ufanista, outra, descritiva-histórica.

A mais fácil, a ufanista, diria que nessa sentença se lê a arrogância de um povo conquistador. A descritiva-histórica lembra que o espírito bandeirante nasce de um rompimento com uma tradição colonial, de cidades litorâneas voltadas para a Europa.

A São Paulo, de Nóbrega e Anchieta, nasceu e se desenvolveu diferente: a partir de um colégio, no alto da montanha, voltada para o interior e sem esperar que a providência resolvesse suas dificuldades.

Há quatrocentos e cinqüenta anos, São Paulo, constatando a orfandade dos inventores, sabe que não pode esperar por uma solução estrangeira e que é de sua responsabilidade escolher seu caminho: Non Ducor, Duco.