A França na Ética do Desejo

23/07/2009 21h41

Jorge Forbes

...Algo novo acontece no domínio da psiquiatria e da saúde mental. Ele foi expresso nesta sexta-feira, pelo Ministro da Saúde Philippe Douste–Blazy ao apresentar o seu esperado plano psiquiátrico “... o próprio da saúde mental é que ela deve se confrontar ao sofrimento nascido do mais íntimo. Em face deste sofrimento secreto, indizível, o primeiro dever de uma sociedade fundada sobre a solidariedade e as liberdades é reconhecer que não pode haver aí só um tipo de resposta. O sofrimento psíquico não é nem avaliável, nem mensurável”. Aí está a novidade: um homem público que tem a coragem de não ceder à fácil e tanto quanto perigosa tendência atual de oferecer falsos semblantes de segurança, através de critérios empíricos de avaliação e controle, a uma população desbussolada por fenômenos tenebrosos, como a decapitação de duas pessoas na cidade de Pau, ou do recente assassinato no metrô parisiense. Douste–Blazy disse não à fórmula reacionária que prega que “o preço da liberdade é a eterna vigilância”. Ele disse sim ao desejo e à responsabilidade subjetiva, fora do standard. Ele reenlaçou a psicanálise com a psiquiatria, sabendo distinguir claramente as diferenças, o que é fundamental para a colaboração. Ele aguarda as respostas dos Psi...

(Trecho do escrito "A Bagagem do Analista 2", de 4 de fevereiro de 2005 - leia a íntegra na seção "Agenda" deste site).