Adolescente

23/07/2009 23h10

Jorge Forbes

Fala-se muito do adolescente, como se todos soubessem claramente do que se trata, como se fosse uma categoria estanque, uma espécie.

Os pais fazem cálculos pré e pós-adolescência: preparam os filhos para melhor entrar nesse período, rezam para que passe logo, e aguardam o dia da saída do suposto inferno, para recuperarem sua cria em docilidade.

É costume definir adolescência como o período compreendido entre o final da infância e o início da fase adulta: seria um tempo de passagem no qual a pessoa aprenderia a se satisfazer, a trabalhar e a se relacionar nos moldes adequados à uma suposta maturidade.

Esse modelo, para ser efetivo, depende de que a sociedade seja padronizada, que se saiba claramente o que é uma criança, um jovem, um adulto, um velho, o que não corresponde a uma era globalizada, onde nenhum padrão universal sobrevive. Velhos gaiatos e jovens sábios são cada vez mais comuns e não exceções. As mesmas razões que nos fazem apoiar a quebra das acomodações - qual mulher, por exemplo, admitiria ser criticada por namorar um belo moço? – obrigam-nos a espanar a poeira do tempo e a nos perguntar: existe mesmo a adolescência? É uma categoria localizável?

Devemos, hoje, nos preparar a uma sociedade menos padronizada e mais sob-medida. No tempo em que a responsabilidade é uma experiência subjetiva, nem a liberdade, nem a prisão, podem ser contadas em anos. Os juristas sabem que o novo laço social não tem piloto automático exigindo, em conseqüência, correções de rota passo a passo.