Aprendendo a Desaprender

23/07/2009 22h17

Jorge Forbes

"Saímos de uma época em que queríamos facilitar a aquisição da aprendizagem e entramos na época do aprender a desaprender, a suportar a falha no saber e o risco dela decorrente.

É possível notar, nos últimos 50 anos, três momentos distintos na educação. O primeiro, em que o importante era acumular conhecimentos, dados, sem se perguntar por quê ou para quê, aprendendo-os. Foi a fase das cópias, das repetições, de tomar o ponto.

Em seguida, a questão passou a ser a integração do conteúdo com a experiência do aluno.

Surgiram os estudos do meio, os trabalhos em equipe e seminários compartidos, a preocupação dos professores e dos pais era de facilitar a aquisição de novos conteúdos, saindo como atitude compreensiva-companheira ao contrário da repressiva-autoritária anterior.

Os tempos da globalização pedem novos pais, novos professores e novos analistas, não se trata mais do acúmulo progressivo de conhecimentos, mas sim de notar, em qualquer conhecimento, limite na simbolização que não deve ser tamponado, nem pela esperança, nem por um conhecimento paralelo. É a mudança radical da pessoa frente ao saber que podemos desejar, essa mudança implica sair de um estado de garantia e um saber orientado, para um estado de risco e aposta da falha do saber".

(excerto do texto "Aprendendo a Desaprender", publicado na seção "Escritos, "Artigos" deste site).