Beijo Só

23/07/2009 22h45

Jorge Forbes

O pai, a pedido da filha, vai buscá-la em uma festa. Ao sair, sob os olhos expectantes do pai, a filha beija sucessivamente três rapazes na boca.

O pai fica paralisado. A filha não entende, ou nem nota, a reação paterna. O pai se esforça em pensar que isso é moderno, que é o tal do “ficar”. O pai tem medo de dizer algo para a filha e que ela não fique com ele. Ele não quer ser velho, mas se assusta com o corredor beijoquês.

Isso é certo? É assim? O amor se resume a prazeres momentâneos, transitórios? Beijo virou degustação? Beijo tem safra e varia com a comida?

O pai quer falar de amor para a filha, a filha quer preservar a vantagem de desprezar quem a ama e fica boquiaberta com a angústia do pai.

São impasses da emoção, no avesso do avesso.