Desautorizando o sofrimento – o vírus RC

22/07/2009 20h26

Jorge Forbes

Nos dias de hoje, as pessoas recebem notícias sobre si mesmas, como cartas que as surpreendem em sua identidade. Sabemos, por Lacan, que cada um recebe a sua mensagem, no sentido invertido, do outro. É como dizer que retorna sobre nós a expectativa que temos sobre o outro.

Isso é surpreendente porque nem sempre nos é tão clara a forma do pacto que estabelecemos e o que faz com que o outro nos devolva nossa mensagem. Se isso já não era claro, agora o é menos ainda, porque existe um outro que capta nossas mensagens, sem que saibamos que estávamos emitindo algo. São mensagens, por exemplo, genéticas, que o outro capta e nos diz: “Steinert’, ‘Ataxia cerebelar’ e outros nomes, que nos batizam: “Você é isso”. Ao receber essa resposta, as pessoas não têm o menor registro do que ela significa. E, de repente, se dão conta de que elas são ou serão aquilo. Isso funciona, como diria Freud, tal qual um ‘estranho familiar’ – uma coisa muito esquisita (umheimlich, em alemão). E essa coisa esquisita não pode ser deletada.

É possível deletar uma mensagem que nos chega da Internet, apertando a tecla ‘Delete’. Entretanto essa é uma mensagem que não conseguimos deletar, e, por essa razão, angustia. Para acalmar essa angústia, ...

(Leia o texto integral em Escritos, Sinopse dos seminários: Desautorizando o sofrimento – o vírus RC)