Dezembro

23/07/2009 23h08

Jorge Forbes

Dezembro. O tempo é próprio às reclamações, começa a enxurrada dos “não deu”. Não deu para chegar, não deu para passar, não deu para comprar, não deu para ligar, não deu para lembrar. Não deu.

Frente às duas maiores datas geradoras de expectativas, o ser humano veste a camiseta do não deu.

No Natal, você dá nota ao outro e o outro dá nota para você. Um presente caro, maior a nota; um barato, menor a nota. No revéillon, a pessoa julga a si própria. E a resposta é aquela de todo ano: não deu. Não deu para cumprir as promessas, eu queria, mas não deu...

Frente à necessidade de concretizar as impossibilidades, as pessoas montam o teatro do problema: o trânsito não anda, o filho em recuperação, as férias coletivas, as lojas abarrotadas, os papais-noéis magros e queimados do sol.

Um consolo popular é sempre lançado nesta época: um novo disco do Roberto Carlos, no mesmo tom, na mesma capa, na mesma afinação, no mesmo título, mostrando que o novo não é fruto de invencionice, nem de tentativa de preenchimento de expectativas novidadeiras. O novo é como o Real, volta sempre ao mesmo lugar, tal qual o 25 de dezembro e o 1º de janeiro – Natal e Ano Novo. Que lição!