A Eficácia da Psicanálise

23/07/2009 21h58

Jorge Forbes

... Como se garantem a eficácia médica e a eficácia mística? Guardando um certo espaço para variações pequenas, na medicina vale com reserva o ditado: “- o que é bom para todos o é também para cada um”. Se não fosse assim seria impossível o emprego da estatística como principal instrumento na avaliação da eficácia de um tratamento. Temos, portanto, o resultado padronizado como idéia orientadora.
Na eficácia mística, diferentemente, não é o coletivo do resultado que define a boa eficácia. Os santos são tomados um a um. São as particularidades de suas vidas, os exemplos de virtude. Não existe a comunidade dos santos com o mesmo comportamento, da forma que existe a comunidade dos afebris com menos de 37 graus de temperatura.
Se não é a norma transversal do coletivo empregada na medicina, o que é então que garante essa eficácia mística? É a norma vertical da filiação; “– minha vida é uma imitação de Cristo”, ou – “faço isso porque estava escrito nas estrelas”. Assim, cada um pode manter sua diferença, se igualando ao ancestral comum.

E a psicanálise?

A eficácia da psicanálise não visa como fim de tratamento, o estabelecimento de nenhum significado estável, sejam eles o transversal da comunidade ou o vertical da filiação, porque num ou noutro modelo há a conjunção plena de saber com a verdade.

O “bom” final de tratamento, compatível com a eficácia da psicanálise, deve se nortear pela disjunção do saber e da verdade, e os fenômenos dela conseqüentes...

(texto baseado em: "A Eficácia da Psicanálise: Os finais do tratamento", de 1990, que pode ser lido integralmente na seção "Escritos", "Artigos", deste site).