Emprestando Conseqüência

23/07/2009 22h16

Jorge Forbes

...Proponho pensar que, se na primeira clínica o analista empresta sentido ao que diz o analisando, na segunda o que ele faz é emprestar conseqüência ao que é dito. No emprestar sentido, cada fala do analisando remete a outra, e mais outra, e assim por diante. Se, por um lado, isso tem um efeito revelador bastante conhecido, por outro pode dar a impressão, à pessoa, de que o que ela diz não tem muita importância ou conseqüência – como quero destacar – pois ela espera que o importante ainda não foi dito. Encontramos exemplos de falas bem duras, de julgamentos pesados, que contam com esse efeito derrisório, como se o que valesse mesmo fosse o que ainda estivesse por vir, algo ainda não falado. No emprestar conseqüência, o analista não espera nada além do dito...

(do livro "Você quer o que Deseja?", este é um excerto do texto "Emprestando Conseqüência", disponível na seção Escritos, Artigos, deste site)