Feliz Ano Novo

30/12/2016 00h15

Jorge Forbes

E a psicanálise, tem algo a dizer sobre as boas intenções do Ano Novo ? Ao menos dois aspectos : “Você quer o que você deseja ? “, seria o primeiro, e o inexorável da surpresa, o segundo. Muitas das promessas, ficam só nas promessas, porque é bastante comum não se querer o que se deseja. Este aspecto até auxilia os analistas no diagnóstico : obsessivos seriam os que só querem o que não desejam, pois assim não arriscam perder o que lhes é mais precioso, mantendo-o escondido a sete chaves; e histéricas aquelas que, eternamente insatisfeitas com o que obtém, desejam sempre uma outra coisa. Querer o que se deseja implica o risco da aposta – toda decisão é arriscada – e a coragem de expor sua preferência, mesmo sabendo que toda carta de amor tende ao ridículo, como lembra Fernando Pessoa.

Então, no Ano Novo, uma promessa analítica, se existisse, seria suportar querer o que se deseja e não temer a surpresa do próprio Ano Novo. O momento mesmo do reveillon é o melhor exemplo do imprevisível : embora todo mundo saiba quando ele vai nascer, embora tal qual obstetras do futuro acompanhemos a contagem regressiva do seu nascimento em voz alta, não conseguimos evitar a curiosidade entusiasmada de ver a sua cara em meio a sinfonia dos fogos de artifício e das bolhas de champagne.

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