Férias Inteligentes

23/07/2009 22h50

Jorge Forbes

Ócio e negócio, duas palavras que aparentemente se excluem. Negócio seria a negação do ócio. A ser isso verdade, o poeta ainda teria razão: hora de trabalhar, trabalhar; hora de descansar, descansar, porque ninguém é de ferro! É o que muitos ainda pensam sobre as férias: desligamento total, sem obrigações, sem resposta a e-mails, sem leitura pesada, sem, sobretudo, internet. A ordem é a conversa fiada, o bobajar.

Se essa mentalidade foi dominante no tempo da industrialização, ela é menos verdadeira hoje em dia - tempo da globalização - quando não faz mais sentido a divisão trabalho e divertimento; o primeiro como pura fonte de renda, de condições econômicas, para o prazer do segundo.

Se isto não ficar claro, não se entende porque muitas pessoas podem se chatear em magníficos cenários praianos de férias de janeiro. Pode-se, sim, conversar inteligentemente, de caniço e samburá. E caipirinha é feita com limão, não com ignorância.

Não há melhor momento que as férias para aprender a influência do ócio no negócio; é o pensamento que faz verão.

Sinais dos tempos, no avesso do avesso.