Frases selecionadas do livro DA PALAVRA AO GESTO DO ANALISTA

23/12/2014 16h53

  • Como governar sem um ideal? O discurso analítico é o avesso do discurso do mestre porque, enquanto o mestre governa com um ideal, o analista é governado por uma causa.

  • A psicanálise lacaniana substitui a culpa pela responsabilidade. Ela responsabiliza a pessoa por seu desejo. (...) Aquele que se responsabiliza por seu desejo faz um nome próprio.

  • Fazer análise seria levar a palavra a uma mudança de grandeza, onde a palavra adquiriria uma nova grandeza revolucionária na vida de uma pessoa.

  • Certamente não é fácil saber o que diz o silêncio do analista, sobretudo quando tende a se tornar sistemático. Se ele for considerado como um signo do desejo do analista, podemos considerá-lo apenas como uma resposta ao que diz ou não o analisando.

  • O desejo do analista é antes de tudo a interpretação de sua relação com a psicanálise.

  • O ato ultrapassa o analista. O que é preciso compreender é que o psicanalista age o tempo todo. Ele está sempre no ato, mas não o sabe. Não há, pois, salvação possível na abstenção.

  • O que quer que faça ou não faça, sua presença, a forma de sua presença, a tonalidade de sua presença exercem efeitos. O psicanalista não pode não estar ausente. Ele não pode escapar ao fato de que age, em si, sem mesmo o querer.

  • É necessária uma mudança no analisando quanto à expectativa de ser compreendido através de uma explicação. A base da explicação é a responsabilidade compartida, ao passo que aquilo que não é explicável é de responsabilidade pessoal.

  • Uma análise permite sair da culpa, da vergonha, e inscrever o ridículo.

  • Impossível se submeter a uma análise, ou dirigir uma análise, e ao mesmo tempo fazer sugestão, um tipo de ajuda. Há uma radicalidade necessária à psicanálise.