Hipermodernidade: As Reações ao Futuro

23/07/2009 21h51

Jorge Forbes

...Antes, as pessoas se queixavam por não conseguirem atingir os objetivos que perseguiam. Hoje, quase ao avesso, as pessoas se queixam ou nem se queixam ainda, mas se angustiam pelas múltiplas possibilidades que se oferecem.

Frente à responsabilidade do querer o que deseja, o homem recua. Ele reage ao futuro incerto, preferindo seguranças passadas. A época pós-moderna, que chegou a ser tão festejada, de um sonho de esperança transformou-se num pesadelo de angústia. A pós-modernidade, para Gilles Lipovetsky, foi um período de curta duração, substituído pela atual hipermodernidade, que ele conceitua.

Hipermodernidade quer dizer uma modernidade ilimitada, extensa a todos os domínios da experiência humana, ancorada em três fatores: na tecnologia, na individualidade e na economia.

Será que estamos fadados a sermos hipermodernos e acompanharmos passivamente as loucas, senão engraçadas, tentativas localizacionistas do id no mesencéfalo, prenúncio do próximo remédio, possivelmente o “id-ota”?

Não acredito nesse destino, por duas razões: a primeira, porque embora ainda poucos, podemos notar uma série de pesquisadores estudando e promovendo novas conceituações do laço social globalizado que exige, para a sua compreensão, uma nova topologia, a borromeana, na visão de Jacques Lacan...

...A segunda razão é a forte convicção de que a essência desejante e incompleta de saber – ou seja, inconsciente - do homem é um princípio que resistirá a todos os tipos de “bushadas” totalitárias...

(Excerto do texto "A Psicanálise do Homem Desbussolado - As reações ao futuro e o seu tratamento", apresentado por Jorge Forbes em plenária no IV Congresso da Associação Mundial de Psicanálise, quarta-feira, 4 de agosto, em Comandatuba).