A Insustentável Violência do Ser Pós-Moderno

23/07/2009 19h58

Jorge Forbes

Parágrafos finais
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Em todos os casos, quando não há morte do autor, podemos detectar três tempos: tudo bem – atrocidade – tudo bem. Vai-se da imprevisão, para o fenômeno e deste para a ignorância. Não há nenhum porque que justifique o assassinato dos pais; o tiroteio no cinema; o soco inglês; o incêndio do colégio; o se jogar pela janela. O fato de não existir um só porque - pode haver muitos - não deve diminuir em nada a responsabilidade subjetiva, todo o contrário. É notável que na maioria dos casos o autor saiba tão pouco do que fez quanto qualquer outra pessoa e não devemos tampar esse aspecto com o rótulo pronto de psicopatia.

Será que estamos prontos para viver uma sociedade pós-moderna onde o pensamento se confunde com a ação e não lhe é anterior? Será que suportaremos o fato que nem tudo tem justificativa, a começar de coisas essenciais como as escolhas amorosas, em todos os seus aspectos?

Nossa inércia racionalista é grande e sofre com a necessidade de se mexer em suas velhas verdades. Mas não temos escapatória, há um novo mundo que exige novas formas de apreensão e de legitimação. Teremos que separar ética de moral. Teremos que responsabilizar a pessoa no acaso e na surpresa. Teremos que inventar e não se adequar. Teremos que saber que a minha liberdade não termina quando começa a do outro, mas, ao contrário, que minha liberdade começa com a liberdade do outro. É um longo programa, que toca todas as esferas da sociedade, por isso mesmo comecemos já, pois senão, surpreendentemente, um brasileiro igualzinho a você poderá ser um assassino.

(Você pode ler este texto na íntegra na sessão ARTIGOS)