"Lojas Guerrilha"

23/07/2009 22h44

Jorge Forbes

Loja guerrilha é um novo conceito de boutique que dura, como a roupa que vende, o tempo de uma estação.

O mais recente exemplo é o da conhecida marca japonesa: “Comme des Garçons”, da estilista Rei Kawakubo e seu marido Adrian Joffe que abriram, sábado passado, em Berlim, uma loja guerrilha no espaço de uma antiga livraria.

Nesse tipo de loja não se gasta dinheiro com grandes reformas, nem em publicidade. As marcas do ocupante anterior do imóvel são deixadas à vista e o máximo de divulgação é feito por 600 cartazes de rua. Tudo se baseia no boca a boca e no vai acabar já, já, mesmo se no auge do sucesso.

É um conceito oposto ao utilizado por etiquetas como a Louis Vuitton, que insiste nas Flagships – lojas capitânias – inaugurando, também nesta semana, uma filial monumental na 5ª Avenida de Nova Iorque.

Loja capitânia e loja guerrilha podem ser compreendidas como dois extremos complementares dos tempos pós-modernos: a primeira, a capitânia, induz à idéia de solidez, tradição, raiz, referências tão em falta atualmente. A segunda, a loja guerrilha, mimetiza uma sociedade do efêmero, das festas raves, do eventual, onde o valor da mercadoria é o da troca de informação e o tempo de permanência é restrito a um encontro.