Madrid

23/07/2009 22h22

Jorge Forbes

Não há nada para entender sobre o ataque terrorista ocorrido em Madri. Não há conforto possível na razão que nos livre do choque, da insegurança, do aparvalhamento.

Um dia Einstein perguntou a Freud: “Por que a guerra?”. Esperava que, se Freud explicasse, poderíamos evitá-la ou, ao menos, controlá-la.

Em Nova Iorque, logo após o 11 de setembro, surgiram interpretações supostamente apaziguadoras do gênero: ataque ao símbolo do capitalismo espelhado na verticalidade opulenta das duas torres.

Agora, em Madrid, não há símbolo em que se apegar: trens comuns, de passageiros comuns, de operários e estudantes, explodem às sete horas da manhã na capital do país.

Damo-nos conta de que a única forma de percepção do fato é a própria conta: duzentos mortos, dois mil feridos, quatrocentos em estado grave, tantos homens, e mulheres, e crianças.

Não há nada para entender quando a crueza real da existência humana revela sua face terrível, ao lembrar a fragilidade do laço social. Sermos iguais não é suficiente para nos amarmos.

Take care dizem os americanos como fórmula de despedida, mesmo quando está tudo bem. Take care, tome cuidado, que corresponde à fórmula brasileira de Vinicius de Moraes: cuidado irmão, cuidado com as surpresas da vida, a vida é uma só e não há cartório do céu que ateste o contrário.