Meu Bem, Meu Mal

23/07/2009 20h42

Jorge Forbes realizou a conferência plenária de encerramento do III Colóquio do Núcleo de Pesquisa de Psicanálise e Educação – FEUSP/IPLA. Ele tratou o tema “As figuras do bem e do mal e a educação” através de três formas de conjugar amor e saber: à maneira de Ataulfo Alves, à maneira de Caetano Veloso e, finalmente, à maneira de Jacques Lacan.

A maneira de Ataulfo Alves, expressa na canção “Amélia”, espelha o maniqueísmo do bem, Amélia; do mal, a outra mulher. Ataulfo canta as qualidades da Amélia, que já não está a seu lado, para a mulher com quem está. Ele ama a mulher a quem fala, pelas vias da negativa freudiana – a referência é o texto de Freud de 1925, Die Verneinung. Seu amor atual, marcado pelos mecanismos do recalque edípico, faz elogiar, para a amada, a Amélia ausente.

A maneira de Caetano Veloso, trabalhada na canção “Meu bem, meu mal”, é da coexistência dos dois aspectos numa só pessoa. Caetano atribui os dois juízos à mulher para quem canta. A linguagem o permite.

A cisão entre bem e mal está na linguagem e não corresponde de maneira direta a uma verdade das coisas. Por isso, Ataulfo, que tenta manter a cisão, a mulher boa e a má, é sujeito do inconsciente freudiano: está sujeito a amar a mulher que ele degrada, sujeito a não desejar mais a Amélia “que era mulher de verdade”. Caetano supera essa organização dividida para incorporar o dualismo do discurso, e cantar juntos o bem e o mal.

Uma terceira maneira de amar, porém, ainda é possível. É, finalmente, a maneira de Jacques Lacan, apresentada por Jorge Forbes a partir da frase “Amo em ti mais do que tu”. Ela rompe qualitativamente com as formas de Ataulfo e de Caetano, por privilegiar o real sobre o imaginário e o simbólico; o bem e o mal.

Amar “em ti mais do que tu” - referência à aula de conclusão do Seminário 11 de Lacan* – é amar além do que se pode dizer, amar além do “tu”, objeto da linguagem, além do bem e do mal.

Jorge Forbes associou um tipo de escola e de professor a cada um dos três modelos trabalhados – tradicional, a Ataulfo; moderno, a Caetano; e, enfim, real, a Lacan. (...)

(trecho da Sinopse da Conferência, publicada na íntegra na seção "Escritos", subseção "Comentários" deste site)