Não Notas

22/07/2009 20h38

  • O charme carioca, músicos e público, e a poesia alemã do sensível maestro Kurt Masur, confirmaram o admirável conserto realizado na antes cambaleante OSB-Orquestra Sinfônica Brasileira, por Roberto Minczuk - o maestro de São Paulo - conseguindo emocionar às lágrimas o público do seu Municipal.
  • o jantar de sexta, pós-concerto, foi no de sempre: o lebloniano Garcia e Rodrigues. As caipirinhas prolongaram o eco sinfônico. Presença dos maestros e entourage da orquestra; piadas. Pas mal, pas plus que ça: descontração, desconstrução.
  • sábado de manhã, Roberto (Minczuk) me pega no hotel às 8h30!!! Vamos ao ensaio da orquestra: Masur com Yamandú Costa. Quem não teria gostado? Como toca o moço gaúcho, bá. Em seguida, converso com ele, Yamandú, sobre a 'posição do joelho' do violonista clássico... Ele não aprendeu a lição no desajeito dos seus primeiros acordes; assim ficou.
  • pós-ensaio, a master class do Masur. Que coisa! A mais bela aula sobre Beethoven que vi. Prefere falar do 'todo o sentimento' em vez das tecnicidades professorais. Discorre sobre o desejo na Nona Sinfonia, emociona. Comenta os escritos de Beethoven, contemporâneos da composição. Fala de um deus, não católico, nem budista, nem de lugar nenhum, nem mesmo divino, et pourtant sublime. Senti-me no seminário de Lacan. Por caminhos diferentes se encontram. Mais tarde, jantando, falei-lhe longamente sobre o "agalma", nome que Sócrates dava a esta coisa que faz "amar em tu mais do que tu".
  • jantar do duplo aniversário 'magistral' no Copacabana Palace. Estava parecido com festa paulista de executivos de outros tempos, tal a seriedade contida das pessoas, em trajes unifórmicos. Ficou mais para recepção-coquetel, do que para festa. Umas 250 pessoas. Roberto me pede que eu faça um discurso que fale do Masur, dele, enfim, l'éloge de l'ami. J'ai fait de mon mieux, malgré a absoluta improvisação e a dureza do público.
  • o melhor: Yamandú dá uma canja com Cristiano Alves, maravilhoso primeiro clarinete da OSB. Valeu.

Começo da madrugada, estou no baixo Leblon: compro três livros, passo na pizzaria Guanabara. Boa noite.

Jorge Forbes