O Analista Como Ensinante

23/07/2009 21h57

...O analista como ensinante, não deve nos surpreender caso provoque no público efeitos de sensibilidade variada, semelhantes a alguns aspectos de uma análise - o que faz a retomada, nos dias sucessivos, sobre o divã, do que se escuta em alguns seminários...

...Necessário faz-se contextualizar o analista como ensinante. Perguntemo-nos: Jacques Lacan, em 2004, proporia uma escola ipsis litteris àquela proposta por Jacques Lacan, em 1964? Ficaria ele indiferente ao desenvolvido nestes quarenta anos na psicanálise e nas mudanças fundamentais que sofreu o laço social, a ponto de merecer ser rebatizado: globalização?...

...da passagem do vazio do simbólico à consistência do corpo, depreendo que faz pouco sentido continuar insistindo que a Escola é ‘o refúgio à civilização’. Ao fazê-lo arriscamos, de refúgio, tornarmo-nos refugo. Escola como refúgio à civilização fazia sentido quando se tratava de preservar o vazio central das garras de uma civilização pai-orientada, com respostas estandardizadas.

O corpo do analista não precisa de proteção à civilização e o analista vai além dos muros da Escola, pois seu espaço é o do Leib, presente na expressão de Jacques-Alain Miller: ‘a psicanálise não tem contra-indicação’. Não tem contra, por ser um espaço topológico de um lado só.

Além dessa mudança concentrada no “analista-cidadão”, devemos esperar outras no passe e na transmissão, objeto destes comentários...

(excertos do texto de mesmo título, disponível na seção "Movimento Analítico", deste site)