O Concorde e o Rabino

23/07/2009 23h12

Jorge Forbes

A imagem do avião Concorde, sonho recente da modernidade, sendo carregado em uma barcaça capenga para sua última e precoce morada, em um museu militar em Nova Iorque, faz pensar.

É irônico, com que velocidade supersônica esse sonho envelheceu. É irônico e diz muito: nem tudo o que é progresso da técnica serve ao homem.

Também é irônico que um homem de Deus, campeão em humanidades, o rabino Henry Sobel, suba em um palanque improvisado na avenida Paulista, ao lado de uma querida apresentadora de televisão, para pregar a pena de morte.

Evidencia que frente ao desespero e a indignação, podemos, mesmo rabinos, escolher o caminho mais rápido de uma solução drástica.

Mas a aparente solução pode imediatamente mostrar a outra face. A pena de morte responde a duas situações: a um estado de guerra ou à certeza da localização do mal.

É um tiro que tem toda a chance de sair pela culatra. Já foi tentado várias vezes e já mostrou sua ineficácia; melhor será encontrar um lugar para a idéia de pena de morte no museu, ao lado do avião que quis trazer concórdia aos povos, supersonicamente.