O mundo mudou

23/07/2009 19h59

Jorge Forbes

O mundo está vivendo um novo renascimento. As palavras de ordem agora são invenção e responsabilidade. Há duas opções: abrir mão da singularidade e tornar-se um genérico, ou ser criativo, responsabilizando-se pelas próprias escolhas, que serão feitas não mais a partir de necessidades e sim da vontade de cada um. As pessoas terão de inventar uma solução a partir do seu desejo, inscrevê-la, patenteá-la. A cultura, que antes era um entretenimento para as horas de lazer, algo para descansar a cabeça, hoje passa a ser o cimento social. E o passageiro desta época não precisa invejar nenhum outro de tempos anteriores, porque ele tem uma chance fantástica de inventar formas de vida diferentes, de vivenciar o renascimento das artes, da cultura, do cinema, da literatura. A cultura é uma expressão do espírito, do novo, da surpresa, do diverso, da contestação; nesse contexto não padronizado, ela adquire cada vez maior peso e significado. ... Estamos na época do amor responsável. Se alguém está com o outro é porque quer, não porque as regras o levaram a isso. A família terá uma função primordial, não como padronizadora de comportamento, mas como base afetiva – do gostar independentemente do jeito que o outro seja. Como a globalização abriga uma multiplicidade de singularidades, as pessoas vão aprender a gostar das diferenças e, havendo maior participação no vínculo social, maior possibilidade criativa, poderão até se sentir felizes.

(trecho do artigo publicado no Livraria Cultura News, junho de 2006: http://www2.livrariacultura.com.br/culturanews/n144/edicao/htm/mat_01.htm)