O Preço da Cultura

23/07/2009 22h49

Jorge Forbes

O controle da produção intelectual está mudando de mãos. Até recentemente, quem comandava o mercado das trocas simbólicas era a universidade, a academia, especialmente as mantidas pelo estado.

Progressivamente, a penúria econômica universitária e o desligamento dos acadêmicos das questões prementes da sociedade, por um lado, e, por outro, as grandes verbas de incentivo à cultura promovidas por instrumentos fiscais como a Lei Rouanet e a necessidade das empresas de se associarem a projetos culturais, está fazendo com que sejam funcionários dos departamentos de marketing, ou de pesquisa de mercado das grandes empresas, que definam as estratégias culturais.

A pergunta se impõe: vai ser melhor ou pior? É uma falsa questão: melhor é dar-se conta desse fato e escolher pessoas que tenham condições de discernimento para gerenciar essas importantes verbas.

É preocupante empresários pensarem que se aprende coragem e liderança fazendo convenções onde se treina andar sobre brasas, ou que se fica rico carregando uma nota dobrada de cem dólares no bolso.

A Avenida Paulista, que já foi conhecida como o corredor econômico do país, hoje, além disso, é um verdadeiro corredor cultural, haja vista o número de institutos culturais e livrarias ali sediados.

Sinais dos tempos, no avesso do avesso.