A Psicanálise versus A Sociedade de Controle

23/07/2009 20h02

Jorge Forbes

Sem percebermos, instala-se insidiosamente uma sociedade de controle, que padroniza comportamentos, prometendo a felicidade: – Revistas semanais vendem capas de dietas, do uso do tempo, da cura do câncer, de como descansar, da melhor ginástica.

Planos de saúde prometem o controle total do bem estar. Terapias retrocedem a técnicas comportamentais de dessensibilização.

As emoções humanas são medicalizadas; na base do para tudo tem remédio, fabricam-se doenças. Livros de auto-ajuda batem recordes de vendagem. Máquinas digitais de reconhecimento viram lugar comum, em qualquer portaria. Programas de televisão ensinam a viver corretamente com Deus ou com a ciência. Empresas uniformizam procedimentos excluindo a singularidade. Enfim, frente à angústia de um novo tempo onde a multiplicidade de escolhas é possível, o homem desbussolado vira cúmplice do seu controlador.

A psicanálise se opõe a esta sociedade de controle entendendo que o melhor tratamento da angústia da liberdade – novo sintoma da globalização – não é o seu aprisionamento em protocolos comportamentais, mas a instalação de uma ética da invenção responsável, condensada na pergunta: “Como suportar não ser controlado?”.