Quatro Discursos

23/07/2009 20h10

Jorge Forbes

"...Pode ser interessante e esclarecedor darmos um passo sobre os símbolos e pensarmos que eles se articulam em discursos. Podemos ter uma sociedade marcada por um tipo de organização discursiva totalitária, que define “isso deve ser assim”, o que Lacan chamou discurso do mestre. Podemos também pensar em um outro discurso, no qual o saber assume o comando. O laço social será, então, universitário. É como o Gilles falava há pouco sobre a escola – conduz a pessoa do que lhe é familiar ao universal.

Há ainda uma terceira forma discursiva quando se diz “isso não basta”, “pode ser melhor” – o discurso da insatisfação, próprio da histeria, que é o assumido pela ciência, funcionando como motor da civilização.

E, finalmente, temos um quarto discurso, que leva em conta, no laço social, a existência de um núcleo duro, impossível de simbolizar e de imaginar, é um organizador que possibilita a nossa conversa não pela soma dos nossos conhecimentos, mas por apontar uma “pedra do meio do caminho”.

Jacques Lacan chamou-o de discurso do analista – que revela um silêncio em qualquer saber, frente ao qual o risco da invenção é inevitável."

(trecho do livro "A Invenção do Futuro: Um debate sobre a pós-modernidade e a hipermodernidade", ed. Manole, p. 102-3)