Sexo Não Vende

23/07/2009 22h28

Jorge Forbes

O sexo não está mais à venda. Esta é a síntese que faz o jornal New York Times, da semana da moda novaiorquina, recém encerrada. Basta de microsaias, decotes em janela, calças muito abaixo do umbigo e blusas muito acima.

A moda altera seu curso e ruma para o estilo recatado-chic, consagrado por Audrey Hepburn, a eterna personagem de My Fair Lady, “Minha Querida Dama”.

O que se verifica na moda se articula com o que se passa no cinema, através de sucessos recentes como Encontro e Desencontros e Cold Mountain. O sexo explícito é substituído pelo romance que alude mais do que expõe.

Na música popular, por sua vez, Madonna deixa de se acariciar no palco, sobre uma cruz, preferindo o tweed abotoado e escrever livros para crianças.

A extrema exposição do corpo e das relações pessoais, nos últimos tempos, paradoxalmente revelou que podemos ver muita coisa, mas que o essencial sempre escapa por uma razão elementar, como diria Lacan - “o real é aquilo que não cessa de não se escrever”, razão pela qual o movimento de tentar sua conquista está fadado à reinvenção permanente.