Sobre o desejo humano

22/07/2009 20h44

O ser humano é insatisfeito por natureza, porque não há nada no mundo que consiga responder integralmente ao que se quer. Essa é a diferença entre querer e desejar. Querer, normalmente, é algo que todo mundo compreende – quero tomar água, quero dormir, quero me proteger do frio. Querer, normalmente, veicula uma necessidade. Desejar, no entanto, é algo que ninguém compreende; é algo muito particular, singular de cada um. Jamais temos uma resposta que nos satisfaça completamente. Essa é a base da criação, ou a base do sofrimento.

Em Psicanálise, quando um desejo é realizado, são momentos raros, são momentos fulgurantes, são momentos em que a pessoa tem a sensação de uma quase morte; os franceses chegam a chamar o orgasmo de uma “pequena morte” – uma sensação como se estivesse no olho de um furacão, uma sensação de querer se agarrar ao outro. Isso passa. E o que vem depois? Pode vir uma depressão de algo perdido, pode vir uma vontade de ir além, de reinventar esse prazer tão rápido, que é a realização de um desejo.

O fato de um ser humano ser mulher, ter corpo de mulher, não faz com que saiba mais sobre o desejo de uma mulher. Eu diria que pode saber mais dos impasses do desejo de uma mulher, porque o desejo de uma mulher é uma questão fundamental para a mulher, como é para qualquer homem.

(Jorge Forbes, no Programa SAIA JUSTA, do GNT, na noite de 14 de março de 2007.)