Sobre os finais de análise
13/11/2010 02h44
Por Jorge Forbes (textos extraídos de trabalhos variados)
O final da análise é um momento justo, nem um antes, nem um depois. É um momento criacionista, como o oleiro que constrói um vaso em torno ao vazio. Ele faz uma obra em torno do nada. A ciência não faz obra; a religião a escamoteia. (1990: Ser Analista)
Como será o julgamento de um Cartel do Passe sobre um relato do estabelecimento de uma felicidade, ou, de um novo amor? Temos aí uma estrada a um novo horizonte. (2001: Quais são os novos horizontes das políticas de admissão da Escola)
O curioso é que para ser feliz, para um momento feliz, pois são sempre momentos e não essências, há que se suportar a sensação de quebra de identidade que fatalmente ocorre. Razão que explica que para alcançar a felicidade é necessária uma boa dose de ousadia e coragem, e não se medir pela expectativa do que esperam de você. Em uma análise, felicidade é suportar o inesperado. (2008: Felicidade não é bem que se mereça)
O final da análise, tomado em sua dupla acepção: de objetivo e término, me parece ser a questão mais interessante que se impõe hoje a uma clínica que diferencia o sinthoma de todas as suas expressões em semblantes. – “ O sinthoma, isso funciona, isso não é suscetível de travessia ou de revelação, é suscetível – não existe um termo em Lacan – Miller, na aula 12 “COISAS DE FINESSE EM PSICANÁLISE”– então eu vou emprestar uma palavra do inglês, como herdamos o insight, suscetível de uma re-engineering, (reengenharia em português), de uma reconfiguração. É isto do que se trata de obter: uma reconfiguração através da qual não podemos dizer que o gozo ganhe sentido, não necessariamente, mas uma re-engineering que permite passar do desconforto à satisfação: a satisfação do parlêtre em questão”. O que quer dizer uma relação mais satisfatória, mudando o seu modo de gozar? Como diferenciar isto dos sucessos terapêuticos arrolados nas listas mais comezinhas do bem-estar? Como evitar uma moral rasteira de felicidade? Como escapar da armadilha do ser adequado e equilibrado? Sobre estas perguntas, termino esta pequena contribuição, esperando por melhor idéia. (2009: Não tenho a menor idéia)
