Teresa Heinz Kerry

23/07/2009 22h25

Jorge Forbes

O que quer uma mulher? Essa pergunta que persegue filósofos e psicanalistas, insistentemente, está assombrando os Estados Unidos. O enigma se encarna e tem nome: Teresa Heinz Kerry. Filha de europeus – o pai era médico -, africana de nascimento, originária de Moçambique, herdeira do ketchup Heinz, por primeiro casamento, ela é a mulher do candidato democrata à Casa Branca, o senador John Kerry.

Os estrategistas de campanha não chegaram a uma conclusão se ela ajuda ou atrapalha. Ela não faz o tipo dona-de-casa-apagada de Laura Bush, nem o de ego auxiliar, de Hillary Clinton.

Teresa Kerry surpreende por seu catolicismo anti-aborto, misturado com filosofia oriental, saudações à Shiva e preceitos médicos alternativos que lhe possibilitaram diagnosticar, precocemente, um câncer prostático em seu marido; câncer esse que havia passado desapercebido pelos doutores ocidentais.

Fazendo elogios inusitados a John, do gênero que ele é igual a vinho que melhora com a idade, e dirigindo uma fundação de um bilhão e duzentos milhões de dólares, premiada por seus planos sociais, Teresa, que fala cinco línguas – fato também incomum nos Estados Unidos – não pára de surpreender no país do politicamente correto.

Ela conheceu Kerry em 1992, no Rio de Janeiro, em uma conferência sobre o aquecimento global. Se os políticos têm dificuldade em classificá-la, ela, com tranqüilidade, classifica seu marido político: “Eu acho que, talvez, se John tivesse casado comigo antes, ele já teria superado algumas de suas necessidades e mágoas”. Palavras de uma possível primeira dama, no avesso do avesso.