Um caso de amor ou de polícia?

23/07/2009 19h56

Jorge Forbes

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Os homens fantasiam educar as mulheres; eles não entendem que uma mulher possa ter sucesso pensando e agindo de uma maneira tão diferente deles. Isto ficou celebrado no musical Minha Querida Dama (My Fair Lady), baseado no Pigmaleão, de George Bernard Shaw, com remontagem anunciada em São Paulo. O personagem principal, Henry Higgins, criado originalmente por Rex Harrison, e entre nós por Paulo Autran, a um certo momento, indignado com a ineducável Eliza, se pergunta: “Por que uma mulher não pode ser mais parecida com um homem?”.

Pelo outro lado, não é raro, continuando na mesma peça como exemplo, que mulheres à semelhança de Eliza exijam de um homem que lhes declare amor, com bem mais que “palavras, palavras, palavras”.

É notável a afirmação de Natascha explicando que não se libertou antes porque ficaria mal para a reputação de seu carcereiro; como também é notável que insista em chamar sua prisão de calabouço (verlies, no original), calabouço de um castelo. Castelo, ela tinha se referido um pouco antes na entrevista, dizendo que sua mãe lhe via com pendores artísticos desde pequena e que quando crescesse iria para o “Teatro do Castelo”.

Quem mandava em quem? Quem aprisionava quem? O seqüestrador, dono dos movimentos de Natascha, ou Natascha, dona da reputação de seu seqüestrador?

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(Você pode ler este texto na íntegra na sessão ARTIGOS)