Uma Segunda Clínica

23/07/2009 21h52

Jorge Forbes

...Há algo novo na clínica, uma segunda clínica, se nos basearmos na continuação que fez Lacan, do caminho de Freud. O que ficou consagrado da prática analítica foi o se conhecer mais e melhor, o que é coerente à vertente das significações inconscientes, já comentada. Estamos hoje, entretanto, desenvolvendo a segunda clínica, a do limite da significação, onde o objetivo é, além de se conhecer mais, responsabilizar-se pelo limite do conhecimento e, em conseqüência, sustentar o risco e a aposta. É uma questão fundamental ao analista de hoje : possibilitar ao seu analisando querer o que deseja, quando, normalmente, é mais protetor para as pessoas quererem o que não desejam, assim se protegendo das perdas. “De nossa posição de sujeito, somos sempre responsáveis” é um aforisma de Lacan. Esta segunda clínica, também chamada clínica do ato, ou clínica do gozo, é a que melhor responde às novas formas de sintomas gerados pela globalização. Também aí, nesses novos tempos da globalização, o problema não é mais o acúmulo do saber mas o que fazer, o que escolher, em um mundo de tantas possibilidades, que chega a deprimir muitos.

O Sigmund Freud continua menino nesse novo século, e cheio de futuro.

(Excerto do texto "Sigmundo Freud do Brasil", publicado em O estado de São Paulo, 29 de setembro de 2000, disponível na seção "Escritos", "Artigos", deste site).