Vertigem do Futuro

23/07/2009 22h47

Jorge Forbes

Há uma nova expressão de angústia no ar dos tempos: é o medo de perder tudo e acabar a vida debaixo da ponte. Manifesta-se como uma vertigem do futuro.

O que se habituou chamar pós-modernidade é uma época, de início recente, recebida com festa pela quebra das obrigações restritivas e institucionais, em diversos níveis: da família, do trabalho, do social.

A sensação de liberdade da manifestação de desejos singulares aumentou a auto-estima e o prazer, porém, o que estamos observando, junto com autores como o sociólogo Gilles Lipovetsky – que acaba de lançar na França o livro “Os tempos hipermodernos” – é que essa sensação de euforia inicial começa a ser substituída pela vertigem do futuro, causada pela falta de parâmetros estáveis e pela dificuldade das pessoas se orientarem pelo seu desejo, uma vez que isso acarreta um risco.

Este fenômeno está levando as pessoas a retrocederem ao tripé fundamental da modernidade: o mercado, com sua alta concorrência econômica; a ambição tecnológica e o frenesi individualista de consumo.

Esses novos tempos esperam melhor tratamento de um laço social baseado na ética incompleta do desejo.