Viver em TERRADOIS

04/03/2016 05h10

               Viver em TERRADOIS

1. Nascer. Selecionamos embriões – e nem sempre os “melhores”. Pais anões selecionam anões. Surdos selecionam surdos. A maioria, no entanto, escolhe os mais bonitos e inteligentes. Caminhamos, talvez, para uma eugenia? A seleção natural darwiniana está sendo contestada?

2. Educar. A escola perdeu o bonde da história. Professores se desesperam com o desinteresse dos alunos em aprender conforme os métodos disciplinares e hierárquicos. A geração Google não entende o decorar e o repetir. Crise geral.

3. Amar. Surge um “novo amor”. Não se ama mais em “nome de”: filhos, herança, tradição, religião etc. Se uma pessoa está com outra é porque quer, mesmo que reclame. O “novo amor” é a nova transcendência humanista.

4. Sexo. É determinação biológica ou escolha? Todas as formas de amor são possíveis e valem a pena? Esses debates ocupam como nunca dantes a cena social.

5. Casar. Há mais divórcios que antes, na medida em que não se fica junto por qualquer tipo de suposta obrigação. Por outro lado, se é mais responsável no amor.

6. Trabalhar. O trabalho passa a ser associado diretamente à vida da pessoa. Não é mais um local onde se ganha dinheiro, para gastá-lo no que importa. O trabalho em si tem que importar. É impressionante o número de jovens que não se interessam por planos de carreira baseados no ganho certo e na segurança da estabilidade.

Empresas deverão ser editoras de cultura, mais do que simples patrocinadoras.

7. Procriar. Muitas mulheres estão congelando óvulos sadios para melhor escolherem o momento de engravidar. Ao mesmo tempo, jovens casais querem ter logo filhos para que esses tenham pais moços. Como em tudo, não há regra.

8. Profissionalizar. Quase todas as pessoas terão duas ou três profissões diferentes.

9. Divertir. O entretenimento deverá se articular com a cultura.

10. Aposentar. Não haverá mecanismos de seguridade social que suportem uma população que aumentou em 30% a expectativa de vida e que continua aumentando. O pai não será mais o provedor e o sábio. Filhos e Pais entrarão em crise de identidade.

11. Morrer. Hoje podemos mais do que desejamos. Esse aspecto fica muito evidente na definição da hora da morte. O que era “morte natural” passou a ser morte escolhida, uma vez que a tecnologia prolonga em muito a vida mecânica.