Por que ser estudante no século XXI ?

21/02/2008 20h14

Jorge Forbes

Série de conferências apresentadas para a Rede Pitágoras:

DATA / LOCAL

16/2/2008 São Paulo – SP
23/2/2008 Rio de Janeiro – RJ
8/3/2008 Vitória – ES
15/3/2008 Belo Horizonte – MG
29/3/2008 Salvador – BA


Foi-se o tempo no qual ao se dizer “postura de estudante”, todo mundo entendia. Hoje, a multiplicação dos meios, a explosão das singularidades, as novas formas de trabalho e de amor, envelheceram a
Educação e exigem a reinvenção da Escola. É importante discutir os novos paradigmas que fundamentam o estudante do século XXI.

ARGUMENTO

1. Educar é uma atividade especificamente humana. Animais não se educam, se treinam, se domesticam. Só o humano é educável, pois só o humano tem a capacidade de duvidar.

2. A dúvida nasce do conflito entre o que se quer dizer e o que foi dito. – “Você entendeu o que eu disse, será que eu fui claro?”. As pessoas repetem, aumentam, gesticulam, tentam uma comunicação sem o mal-entendido, falham, surge a angústia. Há que se educar, ou seja, conduzir, orientar, o que excede ao dito.

3. O que excede ao dito, para a psicanálise, é a sexualidade, base do laço social. Não há educação possível sem desejo. A forma que toma o laço social dá o nome a uma época. A educação se molda ao relevo da paisagem de sua época.

4. Analisando só os últimos 100 anos, podemos notar ao menos três períodos: o da Escola moral, o da Escola flexível, o da Escola ética. O professor e o aluno, em cada uma dessas escolas, são muito diferentes.

5. É impossível educar nos dias de hoje, sem definir o que é o hoje: um tempo onde as verticalidades identificatórias da família, do trabalho, da sociedade civil, abriram lugar para uma sociedade em rede, horizontal, com valores distintos dos anteriores.

6. O aluno não se educa mais para um bom futuro previamente definido, de quando existiam padrões universais, mas para um futuro inventado e responsabilizado. O futuro não é mais uma previsão, mas uma invenção do presente.

7. O professor, ao avesso do Mestre ideal, valendo-se da ironia de apontar o incompleto, possibilita ao aluno o “por-de-si”.

8. A escola se transforma em “hub”, ponto de encontro privilegiado de articulação de singularidades, em um trabalho comum, com o outro.