Da palavra ao gesto do analista

18/11/2003 16h29

Jorge Zahar Editor, 1999. Pela Coleção Campo Freudiano no Brasil.

São doze lições, fruto de um seminário pronunciado na Escola Brasileira de Psicanálise de São Paulo, no qual o autor demonstra como o analista opera na clínica, da palavra ao gesto, do significante ao objeto causa de desejo, do prazer ao gozo que excede a palavra interpretante.

Da mesma forma que para Vinícius a mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza, para Lacan a palavra do analisando tem que ter qualquer coisa além do sentido.

Uma análise deve retificar as relações do sujeito com seu gozo; para isso é necessária uma maneira de captar esse gozo que excede a palavra interpretante. Jorge Forbes traça um paralelo entre a posição do analista, nesses momentos, e o ator estudado por Diderot no "Paradoxo sobre o Comediante". Entre ambos, algo em comum: o excesso como forma de assinalamento da verdade.

É igualmente o excesso, aqui estudado, que está na base do ridículo tão temido pelos amantes. Analisar também seria poder se responsabilizar pelo ridículo presente em todo amor. É a responsabilidade e o risco que livram a pessoa de seus remorsos culposos.

(texto baseado na apresentação do livro, na edição de Jorge Zahar)