Conversações Preparatórias ao Fórum: “A Psicanálise versus A Sociedade de Controle”

17/07/2009 14h07

Mídia & Comportamento

Sede do Instituto da Psicanálise Lacaniana.

Sinopse da conversação do dia 3 de maio de 2006



A conversação sobre “Mídia e Comportamento”, realizada no dia 3 de maio, inaugurou o ciclo de reuniões preparatórias ao Fórum “A Psicanálise Versus a Sociedade de Controle”, anunciado para o dia 10 de junho.

Jorge Forbes deu início ao encontro, dizendo que diante da angústia da liberdade, característica do tempo da globalização, o homem tem se tornado cúmplice do seu controlador. As crenças de que para tudo tem remédio, de que o sofrimento e a felicidade podem ser medidos, muito divulgadas pela mídia, contribuem para o estabelecimento de uma sociedade de controle.

Imparcial, objetiva, plural, neutra... Afinal, como os valores que a mídia usa para fundamentar a sua prática interferem no modo pelo qual a sociedade é informada?

O debate teve início com a exibição de trechos de um programa “Saúde Brasil”, sobre “Estresse, Ansiedade e Pânico”, realizado pela TV Cultura, onde se insiste na “hipocondria de resultados”. Na seqüência, Liége Lise discutiu a Psicanálise frente às Terapias Cognitivo Comportamentais (TCC), unanimemente recomendadas por todos os psiquiatras escolhidos pelo programa. Mostrou como a Psicanálise se singulariza por não ser um tratamento padronizado e estereotipado.

Em seguida, Cristiani Moreira e Rodrigo Abrantes discutiram a relação da mídia com a ciência e a sociedade. Através de reportagens da grande imprensa, de revistas especializadas e livros de divulgação, procuraram reconstituir historicamente a ascensão das “doenças da alma” para o primeiro plano dos noticiários de saúde.

A platéia acompanhou o debate, curiosa. E não eram só psicanalistas e estudantes de psicanálise. Havia também jornalistas, advogados, professores, etc. Mayana Zatz, diretora do Projeto Genoma, presente à conversação, interveio sobre as diferenças entre genética e hereditariedade; comentou também uma pesquisa genética de alcoolismo em macacos.

Ao final da reunião, Jorge Forbes valorizou os pontos de mal entendidos que surgiram em cada momento da discussão. Fez um comentário sobre a ética da escolha humana, o traço que diferencia o homem dos animais. Macacos, por exemplo, não precisam de ética, eles sabem como viver. O homem, pelo contrário, lançado ao destino, defronta-se com o acaso, diante do qual, se quiser ousar uma invenção (“macacos me mordam!”) terá que escolher sem a garantia de um saber, e terá que aprender a se responsabilizar pelas conseqüências de suas escolhas.

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Nota: cada uma das conversações preparatórias trabalha uma das três seqüências previstas para o Fórum do dia 10 de junho. A próxima conversação será na semana que vem, quarta-feira, dia 10, e terá como tema “Você Quer Mesmo Ser Avaliado?”.

Rodrigo Abrantes