São Paulo, 28 de abril de 2004
nº 2

A segunda Newsletter do Projeto Análise provoca o encontro da clínica com o mundo atual. Se é inusitada, não deveria: estamos em tempo de mudança no laço social, de um novo encontro do ser humano com a linguagem. Uma transformação assim não poderia dar-se à revelia da clínica. Em tempo, a clínica não pode abandonar-se em seus hábitos práticos e de pensamento, enquanto a atualidade proclama o seu declínio. Há uma psicanálise para hoje, para esse mundo. Sua questão é de nossa responsabilidade.
 
Leia em  www.projetoanalise.com.br
 
   
  Evidências clínicas. Que evidências?   As Exposições Clínicas – em Seminário  
 
As classificações (DSMs, CIDs) e a tão em moda “Medicina Baseada em Evidências” (MBE) são questionadas passo a passo por Carol Sonenreich, em dois capítulos do novo tratado de psiquiatria organizado por Zacaria Ramadam, no prelo. Um e outro textos são as bases das apresentações de Sonenreich, no Seminário de Jorge Forbes que se inicia. Prepare-se, lendo já esses textos, disponíveis no site.
 
Seminário de Jorge Forbes (2004): “Com o século XXI, reforça-se a idéia, na psicanálise lacaniana, de que a clínica é sustentada em uma ética e não em um protocolo técnico ou em uma moral de adequação aos costumes. Conceitos não são realidades, são ferramentas temporárias, organizadoras de uma ação clínica sempre dependente daquele que trata”. Conversas com Carol Sonenreich, Táki Athanássios Cordás e José Alberto Del Porto.
 
  A psicanálise e o destino das imagens   Uma proposta clara  
 
Célio Garcia escreve sobre o imaginário atual, considerando a possibilidade de a imagem operar ruptura e novidade, ao invés de mero reflexo, repetição. Com Freud e Lacan, atravessa em suas considerações, especialmente, o universo do cinema.
 
... para se viver em um mundo incompleto: Jorge Forbes, Mário Eduardo Costa Pereira e Ariel Bogochvol debatem a psicanálise que “vai bem” no mundo atual, por insistir em fundar o futuro no desejo; em organizar a liberdade através de uma modalidade de vergonha que não seja social, mas singular; e em afirmar o querer a partir da honra, vestida pelo imaginário de um novo luxo.
 
  Os eixos do mundo – A cultura HUB   A “Rita” de Miguel Reale Jr.  
 
“Hub” é o eixo, o local que sustenta as diversas conexões. São “hubs” algumas das principais capitais do planeta: Nova Iorque, Paris, Londres, Xangai, Tóquio. Por sediarem as grandes marcas internacionais, como mananciais de tendências de arte e negócios, como núcleos de intenso contato e múltiplas oportunidades, essas cidades irradiam ao mundo, aos demais centros, uma nova cultura peculiar, radicalmente globalizada. Stan Stalnaker detalha a vida dos jovens que transitam nesses centros no livro “Hub Culture”.
 
“Dez Mulheres”. Com esse título o jurista Miguel Reale Jr. estréia na literatura de ficção, em livro lançado pela Editora Best Seller, neste mês. Você poderá ler, em primeira mão, um dos contos – “Rita” – escolhido pela Editora para os leitores da Newsletter.
 
  Diagnosticar na segunda clínica de Lacan   A apresentação do “Império” em PowerPoint  
 
Jacques Lacan inaugurou um modo inédito de psicanalisar quando transformou seu ensino, na década de 70. Valendo-se da teoria freudiana e do pensamento contemporâneo, antecipou um meio de tratar o homem do futuro, globalizado e perdido frente à quebra das referências. Contudo, é necessário um exercício de pensamento para se alcançar os princípios da segunda clínica. Como articular uma prática sem tomar como base às estruturas estanques? Dito de outra forma, como diagnosticar para além do Complexo de Édipo?
 
Livro de Antonio Negri e Michael Hartd, sustenta a hipótese de um império no mundo atual, a se materializar numa globalização irresistível e irreversível de trocas econômicas e culturais. O objeto de seu governo é a vida social como um todo, numa forma de biopoder. Maria Helena Bogochvol expõe, em PowerPoint, as propostas do livro, em pesquisa para o Projeto Análise.