Aforismos de Jorge Forbes sobre o amor

28/06/2013 02h51

escolhidos por Teresa Genesini

No mês de junho, em que comemoramos o dia dos namorados e o dia do santo casamenteiro, as revistas, jornais e programas de televisão trazem à tona o amor e suas vicissitudes. A psicanálise está diretamente ligada a esse tema, pois, como diz Lacan: “do amor, fala-se na análise”.

 

Jorge Forbes participou de dois eventos que tratam do amor, neste mês de junho: um debate, “o amor nos tempos digitais”,  promovido pela TV Carta Capital e um documentário sobre “amores improváveis”, pela TV Brasil.

Selecionei, de suas intervenções, uma pequena síntese que ele fez do que pensa sobre os tipos de transcendência do laço social humano e pincei de suas falas alguns aforismos.

Sobre os tipos de amor:

“Amor da primeira transcendência seria o amor natural, da cara metade, onde haveria uma harmonia.

Amor da segunda transcendência seria o amor dos deuses. O que Deus uniu o homem não separa: “encontro minha alma gêmea”.

Amor da transcendência iluminista seria o amor racional, do merecimento. “Você me merece e eu te mereço”.

Esses três tipos de amor são expressões do laço social vertical. O amor na pós-modernidade sustenta-se em um laço social horizontal, que não se define por um padrão externo a si mesmo. O amor que vivemos neste momento é um amor responsável. Se uma pessoa está com outra, não pode dizer que seja por alguma outra razão que não o “querer estar”; por isso é um amor direto, sem intermediação. Um amor que não sei explicar, mas responsável.

No momento em que temos um homem desbussolado, que perdeu suas referências, estamos numa nova época. Temos uma opção de voltarmos para trás, sermos reacionários, genéricos ou fazermos um exercício de singularidade, de um novo amor.”

 

Frases aforismáticas:

  • Amor é encontrar um sentido para si mesmo, através do Outro.
  • Amor não é harmonia. É incômodo, é despertar. É provocação, no sentido de fazer falar.
  • Penso que todos os amores são improváveis. Não existe amor standard, não existe amor padrão, amor esperado.
  • O amor é sempre improvável, no sentido que não há uma prova última que o comprove.
  • Se alguém diz “Eu te amo!”, o outro duvida: “Você me ama mesmo? Por quê?” Quando o amante vai responder, não consegue, não tem explicação. É um amor tonto, mas responsável.
  • O amor bandido é uma tentativa de afirmar: “Sei que não devia te amar, mas eu te amo mesmo assim.”
  • Mulheres têm maior facilidade ao amor bandido do que os homens.
  • Na porta de um presídio há sempre mais mulheres do que homens porque a mulher afirma um amor acima das regras da civilização: “Eu te amo além da norma social.”
  • Hoje todas as cartas são cartas de amor.
  • Quando você não tem mais um padrão de referência na significação, o padrão passa a ser a invenção que você faz.
  • Atrás da laconicidade das cartas digitais existe uma troca intensa, amorosa, poética, no sentido de que não existe outra comunicação nesse momento que não a criativa.
  • Nossa era é do amor – é o amor o laço social por excelência, na pós-modernidade.
  • Saímos de um laço social vertical, de uma transcendência natural, religiosa ou racional e passamos a um laço social horizontal, que se chama amor.
  • Vivemos um novo tipo de amor – um amor muito diferente dos anteriores porque é um amor que não tem intermediação. Uma nova transcendência.

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Links dos programas no YouTube:

Amor nos tempos digitais 

Amores improváveis